Um espaço para mulheres refletirem sobre suas vivências

11.4.16

Presença

Muitos pacientes descrevem que, logo após viverem uma situação estressante, costumam rever e reviver a cena em suas cabeças, na tentativa de encontrar uma nova e melhor forma de reagir ao mesmo desafio.
Geralmente, isto acontece quando sentem que não foram capazes de responder à situação estressante da melhor forma possível. Ficam, então, revendo "a fita", por exemplo, de uma discussão séria com o parceiro, uma prova importante, uma apresentação profissional ou qualquer out...ra situação estressante, como se fosse um "disco arranhado" na busca de um final diferente, melhor. Ficam nesta busca porque sentem-se frustrados por não terem reagido da melhor maneira, porque estavam tomados pelo medo, raiva, insegurança ou ansiedade. Esta sensação de não termos conseguido levar o nosso melhor para uma situação desafiadora é bastante comum e acontece quando não nos sentimos livres para estarmos plenamente presentes.

A raiz da frustração diária e ansiedade humana é a nossa tendência de viver no futuro; que, aliás, nada mais é do que pura abstração. Uma das defesas mais comuns para lidar com este mal-estar causado pela angústia ou ansiedade é fugir do corpo e se refugiar na mente. Mais precisamente, na ilusão oferecida pela racionalização.
A medida que racionalizamos, tentamos pensar, controlar, calcular, prever, avaliar, julgar e antecipar nossas experiências futuras numa busca de maiores certezas e/ou garantias. Ao fazermos isso, nos desconectamos da emoção e do contato com nosso corpo. Abrimos mão da experiência integrada (emoção e razão ou corpo e mente), nos afastando da experiência do momento presente, nos escondendo atrás de pensamentos, crenças paralisantes e justificativas falsas. Na tentativa de nos assegurar e proteger, acabamos nos enganando.
A presença representa a possibilidade de viver a vida com consciência clara de quem se é, aceitando todas as consequências de ser você. Isto é muito libertador! Quando estamos presentes, saímos de uma situação estressante com a certeza de que oferecemos o nosso melhor e isso, independente de qualquer resultado, é muito reassegurador e pacificador.
Quando estamos presentes, nosso corpo fala: expressões faciais, posturas e movimentos se alinham em perfeita sincronia. Há uma convergência interna, uma harmonia palpável e ressonante, porque essa conexão consigo é verdadeira e real. Há uma diferença importante que é aceita aqui: eu sou quem sou e não quem eu ou os outros gostariam que eu fosse. Isto representa uma grande conquista.
Como diria Caetano, "a sua presença enche os sete buracos da minha cabeça". É somente através da nossa plena presença que conseguimos nos conectar, relacionar e amar por inteiro e verdadeiramente com todas as consequências.

Um comentário:

  1. Gostei do blog, parabéns! Também tenho um, dá uma olhada qnd puder
    http://caradecotia.wordpress.com
    Bjs

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