Um espaço para mulheres refletirem sobre suas vivências

27.11.15

O quanto de dinheiro devemos dar aos filhos?

Por Camila Miranda

Muitos pais têm dúvidas sobre o quanto de dinheiro devem dar aos filhos. Essas incertezas ganham ainda mais força por estarmos vivendo um momento em que os filhos têm ocupado uma posição central nas famílias, em detrimento das relações de casal. Tanto mães, quanto pais, acabam se sacrificando e abrindo mão de terem suas próprias vidas em prol do que imaginam ser as necessidades dos filhos.
Essas dúvidas aparecem cedo na relação mãe-bebê e vão desde a quantidade de leite materno, tempo no colo, quando deixar chorando, o quanto estimular a linguagem e socialização na primeira infância. Os filhos crescem e as dúvidas continuam sobre limites, agressividade, sexualidade, drogas e álcool, liberdade e dinheiro.
A grande questão é que de fato há um período curto em que as crianças devem ocupar uma posição central na família. É quando o bebê nasce. Neste único momento, o bebê deve reinar. Enquanto que um ser completamente dependente, precisa ter suas necessidades físicas e emocionais decifradas, entendidas, acolhidas e atendidas. Mas, como disse, esse reinado é curto! A partir do final do primeiro ano, o bebê precisa ir perdendo privilégios e concessões gradualmente para que no final do segundo ano consiga compreender que existe o outro, com desejos e necessidades próprias, diferente das dele.
Ainda que o bebê “reine” nesse primeiro momento, cabe obviamente aos pais definir rotinas e determinar a dinâmica familiar, levando em consideração os limites, necessidades e possibilidades do bebê. Após os dois anos de idade, é importante que se tenha atenção, caso as atividades da família ainda estejam sendo definidas em função dos filhos.
Por exemplo, muitos pais acabam se sacrificando duramente para tentar proporcionar aos filhos o que idealizam ser necessário. Identificam seus filhos como reis e rainhas/príncipes e princesas e passam a se comportar enquanto súditos fiéis dos seus filhos, priorizando as necessidades de consumo das crianças o tempo todo. Esses casos de infantolatria estão cada vez mais comuns e têm sérias consequências para o desenvolvimento psicológico a curto, médio e longo prazo, além de fortes complicações para a vida do casal.
A resposta encontrada pelas famílias muitas vezes se baseia na infância que os pais tiveram e na tentativa de compensar pelo que não tiveram. Então, se os pais tiveram dinheiro em excesso, tentam ensinar o valor do dinheiro dando limites aos filhos. Se em contrapartida tiveram muita falta na infância, procuram dar o máximo conforto que podem para os filhos. É importante lembrar que a falta é constitutiva, precisamos sentir falta para dar valor ao que temos. Dar tudo o que querem sempre faz com que não valorizem, nem vejam tanta graça nas possibilidades que o dinheiro traz.
A resposta para essa pergunta está na busca do equilíbrio. Os pais devem se basear nos seus valores e na real necessidade dos filhos, dentro das possibilidades de cada orçamento familiar
Então, em uma família classe média em que o trabalho e a capacidade de realização sejam valores, pequenas atividades feitas pela criança em casa podem ser associadas com pequenas quantias de dinheiro para ajudar essa relação ser internalizada por ela. Por exemplo, arrumar o quarto, lavar a louça, dar banho no cachorro e tirar o lixo podem ser recompensados com pequenas quantias de dinheiro (variando de 2,00 a 5,00 reais por tarefa). Importante: esses acordos devem ser claros e entendidos por todos na casa. Não importa tanto o que é combinado mas que este seja consistente e mantido de forma continuada.

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