Um espaço para mulheres refletirem sobre suas vivências

27.11.15

Consumismo infantil

 
 

Antes de ceder às demandas infantis de presentes de Natal, sugiro que você pare e reflita um pouco:

Uma pesquisa feita pela SPC Brasil mostra que 6 em cada 10 mães cedem às vontades dos filhos na hora das compras. Acredito que antes de sair na busca de mais presentes para comemorar o dia das crianças, vale a pena parar e refletir sobre como esse comportamento consumista pode afetar o desenvolvimento das crianças e o orçamento familiar.
No mês do dia das crianças, vale a pena pensar o que motiva as mães a agirem assim antes de sair comprando presentes e correr o risco de comprometer o orçamento familiar.
A maioria das mães se sente impelida a satisfazer os desejos dos filhos e tem dificuldades em dar limites a eles. Estamos vivendo um momento em que os filhos têm ocupado uma posição central nas famílias e, consequentemente, tanto mães quanto pais, acabam se sacrificando e abrindo mão de si em prol do que imaginam ser as necessidades dos filhos.
É muito comum, como demonstra a pesquisa, que pais e mães utilizem dinheiro para amenizar seus sentimentos de culpa por sua ausência e confundam permissividade e necessidade de agradar as crianças com amor. Os filhos logo percebem e se utilizam desta fragilidade para manipular a mãe ou o pai. Não queremos ver nossos filhos sofrendo, mas isso não significa que temos que satisfazer todas as suas vontades. Acredito que quem ama educa e, para tal, precisamos dizer não e dar limites, quando necessário, sem culpa. Isto porque sem limites fica difícil para as crianças aprenderem a dar valor ao que têm. A falta não precisa ser evitada. Pelo contrário, precisamos aprender a lidar com ela em casa para nos prepararmos para as frustrações e dificuldades que virão depois na vida. Não acredito que ninguém tenha tudo, nem seja desprovido de tudo. Precisamos, portanto, ensinar nossas crianças a valorizarem o que têm sem ceder às pressões dos pequenos, nem das propagandas direcionadas ao público infantil.
Muitos pais acabam se sacrificando duramente para tentar proporcionar aos filhos o que idealizam ser necessário. Identificam seus filhos como reis e rainhas/príncipes e princesas e passam a se comportar enquanto súditos fiéis dos seus filhos, priorizando as necessidades de consumo das crianças o tempo todo. Esses casos de infantolatria estão cada vez mais comuns e têm sérias consequências para o desenvolvimento psicológico a curto, médio e longo prazo, além de fortes complicações para a vida afetiva e financeira do casal.
A resposta encontrada pelas famílias muitas vezes se baseia na infância que os pais tiveram e na tentativa de compensar pelo que não tiveram. Então, se os pais tiveram dinheiro em excesso, tentam ensinar o valor do dinheiro dando limites aos filhos. Se em contrapartida tiveram muita falta na infância, procuram dar o máximo conforto que podem para os filhos. É importante lembrar que a falta é constitutiva, precisamos sentir falta para dar valor ao que temos. Dar tudo o que querem sempre faz com que não valorizem, nem vejam tanta graça nas possibilidades que o dinheiro traz.
A resposta para essa pergunta está na busca do equilíbrio. Os pais devem se basear nos seus valores e na real necessidade dos filhos, dentro das possibilidades de cada orçamento familiar.
 
Por Camila Miranda

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