Um espaço para mulheres refletirem sobre suas vivências

12.6.15

O quanto é suficiente?

Por Camila Miranda
Muitas mães têm dúvidas sobre o quanto devem dar aos filhos. Essas incertezas ganham ainda mais força por estarmos vivendo um momento em que as crianças têm ocupado uma posição central nas famílias, em detrimento das relações de casal. Tanto mães quanto pais acabam se sacrificando e abrindo mão de terem suas próprias vidas em prol do que imaginam ser as necessidades infantis.
Essas dúvidas aparecem cedo na relação mãe-bebê e vão des...de a quantidade de leite materno, tempo no colo, quando deixar chorando, ao quanto estimular a linguagem e socialização na primeira infância. Os filhos crescem e as dúvidas continuam sobre limites, agressividade, sexualidade, drogas e álcool, dinheiro e liberdade.
A grande questão é que de fato há um período curto em que as crianças devem ocupar uma posição central na família. É quando o bebê nasce. Neste único momento, o bebê deve reinar. Enquanto um ser completamente dependente, precisa ter suas necessidades físicas e emocionais decifradas, entendidas, acolhidas e atendidas. Mas, como disse, esse reinado é curto! A partir do final do primeiro ano, o bebê precisa ir perdendo privilégios e concessões gradualmente para que no final do segundo ano consiga compreender que existe o outro, com desejos e necessidades próprias, diferentes das dele.
Ainda que o bebê "reine" nesse primeiro momento, cabe obviamente aos pais definir rotinas e determinar a dinâmica familiar, levando em consideração os limites e possibilidades do bebê.
Após os dois anos de idade, é importante que se tenha atenção, caso as atividades da família ainda estejam sendo definidas em função dos filhos. Por exemplo, se as músicas, o cardápio das refeições, os programas de tv e os passeios são sempre determinados pelas preferências infantis, e não incluem o gosto dos adultos, precisamos parar para refletir porquê as crianças estão comandando o que acontece e o que deixa de acontecer nessa família.
Muitas mulheres acabam esquecendo-se e abandonando a si próprias ao se tornarem mães. Identificam seus filhos como reis e rainhas/príncipes e princesas e, passam a se comportar como súditas fiéis, ao priorizarem as necessidades das crianças o tempo todo. Esses casos de infantolatria estão cada vez mais comuns e tem sérias conseqüências para o desenvolvimento infantil a curto, médio e longo prazo. Sem falar nas complicações que gera na vida da mãe, que se anula enquanto mulher e, consequentemente, na vida do casal.

 

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