Um espaço para mulheres refletirem sobre suas vivências

24.10.14

NAMORO INFANTIL: COMO LIDAR?

Recentemente, uma mãe de um menino de oito anos me procurou, pedindo que escrevesse sobre o interesse das crianças dessa idade por namorar. Que mãe não ficaria aflita quando seu filho dessa idade chega da escola, dizendo: “Tô namorando”. Muitos pais ficam constrangidos em conversar sobre o assunto, outros preferem minimizar o problema e alguns desencorajam o filho, falando que namoro não é coisa de criança...
Esse tema mobiliza muita ansiedade nas mães, porque se teme um desenvolvimento precoce da sexualidade e se sabe que essa questão mal administrada pode vir a ter fortes repercussões na vida afetiva e sexual dos filhos.

Primeiro, é importante lembrar que o “namoro infantil” não tem as mesmas características de um namoro adulto, longe disso... O que a criança imagina que seja um namoro é, geralmente, muito diferente da ideia que os pais têm sobre isso. Na visão infantil, quando o pequeno desenvolve maior afinidade com alguma amiguinha e se torna mais próxima dela, ele tende a enxergar esse maior afeto como amor.
Segundo, precisamos definir o que é precocidade... O que, geralmente, entendemos como precocidade é a reprodução das manifestações adultas que, por razões óbvias, quando presentes na infância são absurdamente inadequadas, incomodando muito as mães e os pais, justamente, pela impropriedade de suas expressões. Esse comportamento é muito influenciado pelo meio onde os pequenos vivem e se relacionam. Ao observar as pessoas mais velhas e suas atitudes, tanto em casa (como pais e irmãos), quanto na escola (com adolescentes e crianças de outras séries), eles querem ser como elas. Os pequenos repetem o que veem em casa, na escola, na rua e, cada vez mais, na TV, no YouTube e no Google. Geralmente, estas imagens de namoro reforçam o relacionamento adulto, as crianças tendem a se espelhar nisso. Por isso, precisamos estar muito atentas ao que as crianças são expostas. Através da imitação, de brincadeiras e dos jogos corporais, eles vão devagarzinho descobrindo a si mesmos e aos outros, construindo seu mundo.
Não acredito que o melhor caminho seja reprimir e negar tais manifestações. Prefiro o caminho da conversa bem informada. Acredito que os pais devem estar preparados para promover discussões sobre sexualidade com as crianças mais novas, proporcionando o contato com livros e filmes, por exemplo, que abordem o tema de maneira adequada. As crianças têm curiosidade sobre o assunto, o que é muito natural, mas nem sempre têm chance de falar sobre ele. O desafio dos pais e escolas é promover processos educativos em que os pequenos possam falar sobre o corpo, fazer perguntas, expor suas inquietações, medos, ansiedades e alegrias ligadas à descoberta da sexualidade de forma segura e apropriada para sua faixa etária. Não é também recomendável incentivar o “namorinho”. A melhor coisa a fazer é manter a calma e o diálogo, sempre observando e escutando seus filhos.



Por Camila Miranda




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