Um espaço para mulheres refletirem sobre suas vivências

9.5.16

Feliz dia das mães!

A maternidade mudou a minha vida. Hoje, tentei resumir um pouco como esta grandiosa experiência me transformou. Feliz dia, com todo o meu amor!

Ser mãe é uma lição intensa de amor,
É alargar, junto com o ventre, o coração,
É buscar ser uma pessoa melhor,
É uma transformação arrebatadora e imediata que, ...ao mesmo tempo, leva toda uma vida,
É ter total reverência ao mistério da criação,
É ter compaixão com toda forma de vida, independente, se tenha nascido ou não do seu ventre,
É perceber o frescor do amar, que te renova, apesar de toda dor e cansaço,
É compreender profundamente sua mãe,
É resgatar suas avós,
É poder perdoar qualquer pessoa que tenha te ferido pelo caminho, sabendo que, diante da maternidade, nada poderia ser tão grave assim...
É desenvolver uma sintonia fina, capaz de antever necessidades e ler corações,
É chorar, com facilidade, por transbordar de tanto amor,
É gargalhar sem medo por carregar no peito uma profunda realização,
É querer construir um mundo melhor para seu rebento e deixar um ser do bem para o mundo,
É sonhar com uma chuva dourada de amor para lavarmos a alma e recomeçarmos mais um dia,
É ter a profunda certeza de que o amor é sempre a melhor e mais verdadeira opção,
E, quando estivermos tristes ou perdidas, ter a inabalável confiança de que é o amor que nos levará de volta para casa.
Beijo grande e um feliz dia!

11.4.16

Presença

Muitos pacientes descrevem que, logo após viverem uma situação estressante, costumam rever e reviver a cena em suas cabeças, na tentativa de encontrar uma nova e melhor forma de reagir ao mesmo desafio.
Geralmente, isto acontece quando sentem que não foram capazes de responder à situação estressante da melhor forma possível. Ficam, então, revendo "a fita", por exemplo, de uma discussão séria com o parceiro, uma prova importante, uma apresentação profissional ou qualquer out...ra situação estressante, como se fosse um "disco arranhado" na busca de um final diferente, melhor. Ficam nesta busca porque sentem-se frustrados por não terem reagido da melhor maneira, porque estavam tomados pelo medo, raiva, insegurança ou ansiedade. Esta sensação de não termos conseguido levar o nosso melhor para uma situação desafiadora é bastante comum e acontece quando não nos sentimos livres para estarmos plenamente presentes.

A raiz da frustração diária e ansiedade humana é a nossa tendência de viver no futuro; que, aliás, nada mais é do que pura abstração. Uma das defesas mais comuns para lidar com este mal-estar causado pela angústia ou ansiedade é fugir do corpo e se refugiar na mente. Mais precisamente, na ilusão oferecida pela racionalização.
A medida que racionalizamos, tentamos pensar, controlar, calcular, prever, avaliar, julgar e antecipar nossas experiências futuras numa busca de maiores certezas e/ou garantias. Ao fazermos isso, nos desconectamos da emoção e do contato com nosso corpo. Abrimos mão da experiência integrada (emoção e razão ou corpo e mente), nos afastando da experiência do momento presente, nos escondendo atrás de pensamentos, crenças paralisantes e justificativas falsas. Na tentativa de nos assegurar e proteger, acabamos nos enganando.
A presença representa a possibilidade de viver a vida com consciência clara de quem se é, aceitando todas as consequências de ser você. Isto é muito libertador! Quando estamos presentes, saímos de uma situação estressante com a certeza de que oferecemos o nosso melhor e isso, independente de qualquer resultado, é muito reassegurador e pacificador.
Quando estamos presentes, nosso corpo fala: expressões faciais, posturas e movimentos se alinham em perfeita sincronia. Há uma convergência interna, uma harmonia palpável e ressonante, porque essa conexão consigo é verdadeira e real. Há uma diferença importante que é aceita aqui: eu sou quem sou e não quem eu ou os outros gostariam que eu fosse. Isto representa uma grande conquista.
Como diria Caetano, "a sua presença enche os sete buracos da minha cabeça". É somente através da nossa plena presença que conseguimos nos conectar, relacionar e amar por inteiro e verdadeiramente com todas as consequências.

"É hora de fazer opções conservadoras"

Gostaria de dividir com vocês uma contribuição que dei para a matéria "É hora de fazer opções conservadoras" publicada no Valor Econômico.
É uma boa hora de repensarmos os padrões de consumo e hábitos financeiros. O cenário macroeconômico pede uma revisão de despesas e o corte de gastos traz benefícios rápidos e necessários em época de crise. Sem esta reflexão mais profunda, acabaremos repetindo antigos padrões de forma inconsciente e restabelecendo o mesmo ciclo de consumo. ...
Conhece alguém que está precisando de uma ajuda para reorganizar sua relação com o dinheiro? O livro Saúde Financeira: uma questão emocional pode ajudar, e muito! A venda na Livraria da Travessa, na Saraiva ou ainda pelo site da Saraiva ou da Amazon!

http://www.valor.com.br/financas/4361044/e-hora-de-fazer-opcoes-conservadoras

Quem controla as suas finanças? Você ou a crise?

Quais as dicas para equilibrar o emocional e o financeiro em momento de crise?

Durante a crise, temos uma grande oportunidade de rever nossos hábitos para evitar desperdícios e gastos desnecessários. Precisamos estar muito atentos e conscientes para não cometermos deslizes, porque é justamente quando a situação aperta que devemos ter maior atenção com nossos gastos e clareza sobre nossas prioridades financeiras. Se você já está sentindo o impacto da crise no seu orçamento, algumas dicas para ajudar você a manter o controle da situação são: tenha cautela, evite se precipitar, estabeleça um dialogo franco com seus familiares, convocando todos para assumirem suas responsabilidades sobre os gastos e priorizarem suas despesas. Ainda vale usar da criatividade para tentar gerar alguma renda extra, desapegar e vender o que não se usa mais. Busque formas de lazer que sejam de graça e ao ar livre, o contato com a natureza ajuda muito a controlar o emocional sem pesar no bolso!

Roda de Mães no Conexão Futura!

Tema do da: Namoro Infantil   
https://www.youtube.com/watch?v=rUfe_SvbcRs

Quando cada refeição é um campo de batalha



Nesta semana, coincidentemente, atendi duas crianças de 7 anos que comem muito mal. Uma não come o suficiente porque se preocupa em engordar, embora se reconheça como sendo magérrima. Se emagrecer mais, seu peso pode virar uma questão bem grave de saúde e demandar internação. A outra é tão seletiva que praticamente não come nada com valor nutritivo, no s...eu cardápio só tem carboidratos refinados ou fritura de imersão.

As duas, embora apresentem sintomas bem diferentes, têm o mesmo desafio: romper com um sistema de crenças pessoal e singular que orienta a vida delas em relação a comida. Para estas duas crianças e suas famílias cada refeição é um campo de batalha em potencial.
A primeira menina come muitíssimo bem, do ponto de vista qualitativo: legumes, frutas e saladas orgânicas com peixe; mas a quantidade mal alimentaria um passarinho. A outra come bastante, mas come muito mal: suas preferências são o arroz branco, batata frita e farofa. Não costuma comer frutas, legumes e verduras então nem pensar e até hoje ainda não provou coisas bem básicas como feijão e frango...
 
Tenho visto que a hiper valorização da beleza física na mídia e redes sociais tem feito reféns cada vez mais novos. Recebo no consultório cada vez mais crianças escravizadas buscando avidamente a felicidade na barriga tanquinho e no número de likes das fitos do Instagram. Por um lado vejo a valorização demasiada e precoce da imagem junto com a busca do corpo físico e da saúde perfeita, que acabam sacrificando prazer na hora de preparar os alimentos e comer as refeições. Alimentação associada a forte rigidez representa uma profunda perda do prazer em se alimentar. Também atendo crianças que têm restrições alimentares por razões alérgicas e tudo o que elas querem é poder se alimentar de forma mais livre, sem perder saúde! No outro extremo, temos aquela criança que só come o que quer e acaba da mesma forma perdendo saúde; porque, como ainda não tem idade para entender as consequências graves deste tipo de escolha para sua saúde e desenvolvimento, acreditam que não precisam ser desafiadas a agirem de forma diferente.
Sair da zona de conforto é difícil, dá medo, ficamos achando que não vamos conseguir... mas com o incentivo certo elas descobrem uma nova força e se superam. Enquanto que a primeira imaginava que tudo o que comeria seria rapidamente absorvido e transformado, quase que magicamente, em gordura, como se ela não gastasse nada em sua rotina muito ativa; a segunda imaginava que seria muito ruim comer qualquer coisa diferente antes mesmo de provar. As duas não estavam respondendo ao estímulo real (comida) mas ao que imaginavam que seria a comida, ao significado simbólico da comida.
Uma boa dica é tentar desfazer essas construções imaginárias negativas, porque sem essa resistência fica fácil mudar o comportamento.

A primeira criança ganhou uma nova consciência sobre o prazer em comer bem. Como sua personalidade é bem rígida estamos devagarzinho trabalhando que seu novo termômetro é a sua sensação de fome e não o que racionaliza ser a quantidade certa. Se temos comida de qualidade, não precisamos nos preocupar tanto com quantidade.

A segunda criança, depois de poucos meses, já come todas as frutas, salada e vários legumes. Ela se sentindo muito mais fortalecida e aberta para a vida de forma geral. Hoje reconhece como é prazeroso experimentar o novo e está descobrindo como é divertido explorar as novas possibilidades da vida.
Uma vez que conseguimos vencer nossos próprios medos fica muito mais fácil buscar a superação dos desafios e barreiras mais tarde na vida. Para estas duas crianças, uma nova forma de se relacionar com a comida representa um movimento importante de crescimento e conquista de maior autonomia.

Na arte de viver é assim: vamos conseguindo aos poucos... cada dia mais uma pequena vitória. Da mesma forma que ninguém se prepara para correr uma maratona em um dia; leva tempo, exige esforço e disciplina, tem dias que dói, mas cada pequeno passo também pode representar a possibilidade de uma grande e nova conquista!
 
 
 

27.11.15

Consumismo infantil

 
 

Antes de ceder às demandas infantis de presentes de Natal, sugiro que você pare e reflita um pouco:

Uma pesquisa feita pela SPC Brasil mostra que 6 em cada 10 mães cedem às vontades dos filhos na hora das compras. Acredito que antes de sair na busca de mais presentes para comemorar o dia das crianças, vale a pena parar e refletir sobre como esse comportamento consumista pode afetar o desenvolvimento das crianças e o orçamento familiar.
No mês do dia das crianças, vale a pena pensar o que motiva as mães a agirem assim antes de sair comprando presentes e correr o risco de comprometer o orçamento familiar.
A maioria das mães se sente impelida a satisfazer os desejos dos filhos e tem dificuldades em dar limites a eles. Estamos vivendo um momento em que os filhos têm ocupado uma posição central nas famílias e, consequentemente, tanto mães quanto pais, acabam se sacrificando e abrindo mão de si em prol do que imaginam ser as necessidades dos filhos.
É muito comum, como demonstra a pesquisa, que pais e mães utilizem dinheiro para amenizar seus sentimentos de culpa por sua ausência e confundam permissividade e necessidade de agradar as crianças com amor. Os filhos logo percebem e se utilizam desta fragilidade para manipular a mãe ou o pai. Não queremos ver nossos filhos sofrendo, mas isso não significa que temos que satisfazer todas as suas vontades. Acredito que quem ama educa e, para tal, precisamos dizer não e dar limites, quando necessário, sem culpa. Isto porque sem limites fica difícil para as crianças aprenderem a dar valor ao que têm. A falta não precisa ser evitada. Pelo contrário, precisamos aprender a lidar com ela em casa para nos prepararmos para as frustrações e dificuldades que virão depois na vida. Não acredito que ninguém tenha tudo, nem seja desprovido de tudo. Precisamos, portanto, ensinar nossas crianças a valorizarem o que têm sem ceder às pressões dos pequenos, nem das propagandas direcionadas ao público infantil.
Muitos pais acabam se sacrificando duramente para tentar proporcionar aos filhos o que idealizam ser necessário. Identificam seus filhos como reis e rainhas/príncipes e princesas e passam a se comportar enquanto súditos fiéis dos seus filhos, priorizando as necessidades de consumo das crianças o tempo todo. Esses casos de infantolatria estão cada vez mais comuns e têm sérias consequências para o desenvolvimento psicológico a curto, médio e longo prazo, além de fortes complicações para a vida afetiva e financeira do casal.
A resposta encontrada pelas famílias muitas vezes se baseia na infância que os pais tiveram e na tentativa de compensar pelo que não tiveram. Então, se os pais tiveram dinheiro em excesso, tentam ensinar o valor do dinheiro dando limites aos filhos. Se em contrapartida tiveram muita falta na infância, procuram dar o máximo conforto que podem para os filhos. É importante lembrar que a falta é constitutiva, precisamos sentir falta para dar valor ao que temos. Dar tudo o que querem sempre faz com que não valorizem, nem vejam tanta graça nas possibilidades que o dinheiro traz.
A resposta para essa pergunta está na busca do equilíbrio. Os pais devem se basear nos seus valores e na real necessidade dos filhos, dentro das possibilidades de cada orçamento familiar.
 
Por Camila Miranda